quinta-feira, 8 de outubro de 2009

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Sim, estamos calados e um pouco assustados nesses meses estranhos. Nossa voz, ainda que frágil, esboça uma reação.





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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Junho e espanto

Junho, fim de semestre, história de sempre.
Torcemos para que a vida triunfe, pois já estamos cansados de tragédias. Já as tivemos demais nos últimos tempos.
Torcemos para que nem a gripe nem a fatalidade nos alcancem. Para que o frio permaneça e alivie, para que todos possamos amanhecer.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Da série : "Alanismo também é poesia"


Whispers

But I have been a storyteller
Seen dimensions you would not dare to
Sprung in the atomic alleys of ever and then
No cage would make me sit
No wind could spin my soul
I have deciphered the flower of days
Pronounced the vowels of no religion
Read the scrolls of no wisdom
Caught the nightly bird with countless feathers
When you saw me running
That was when I dove
And when you saw me disappear in the dust
That was the lace, the trace and the platinum seal


Sussurros

Mas eu já fui um contador de histórias
Vi dimensões que não ousarias
Saltei nos becos atômicos de todos os tempos
Gaiola alguma me fazia sentar
Vento algum girava minha alma
Eu decifrei a flor dos dias
Pronunciei as vogais de nenhuma religião
Li os pergaminhos de nenhuma sabedoria
Apanhei o pássaro noturno de penas incontáveis
Quando me viste correndo
Foi que eu mergulhei
E quando me viste desaparecer na poeira
Foi o laço, o rastro e o selo de platina





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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Escória? quem?






Olha só, que gente bonita. Que gente inteligente e talentosa. Tu tens ódio delas?
O melhor remédio contra o preconceito é o conhecimento. Xingar os racistas e preconceituosos de idiotas é falar a língua de ódio que eles gostam. A única maneira de manter o mundo razoável e plural é apostar na sutileza.
Agora dá uma olhada nas coisas que essas e outras pessoas fizeram, e diz se há motivo real para ódio.
Racismo é preguiça de pensar. Preconceito é não querer ver a realidade. Tu és uma pessoa inteligente?



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terça-feira, 12 de maio de 2009

Política não é futebol


Uma das muitas razões de nosso insucesso como nação é a maneira infantil que temos de lidar com a política. Já critiquei antes o paternalismo e o personalismo excessivos. Agora faço o seguinte paralelo: a maioria esmagadora da classe média brasileira lida com os partidos como se fossem times de futebol, ou seja: escolhe um, geralmente para afirmar ou negar os pais, e fica com ele pelo resto da vida, independente do que acontecer. E neste país de mentalidade tão pequena só há dois disponíveis: PT e anti-PT.
Nos apegamos a nossas escolhas e ignoramos escândalos de corrupção, incompetência, má fé, tudo para afirmar que pertencemos a um dos dois partidos. Exatamente como crianças mimadas e preguiçosas, exatamente como no futebol. Pois eu vou aqui dar um passo além: PT e anti-PT são muito, mas muito parecidos. Ambos têm algum mérito, praticamente nenhuma ideologia, muita corrupção e fisiologismo, muito oportunismo e cinismo. O resto são preconceitos ancestrais de uma época em que havia algum sentido nos termos “direita” e “esquerda”, e muita preguiça intelectual e conformismo. Mexe essa bunda mental aí, meu filho, vamos pensar e analisar caso a caso, não tem nada garantido, não! Não há anjos em nenhum dos (falsos) lados de nossa política.

Auto-ajuda é piegas?


O gênero é campeão de vendas nesta era de tantos problemas e tanta gente perdida. Há auto-ajuda para todos os gostos e necessidades: como ficar rico, como transar melhor, como conquistar as pessoas, como melhorar a auto-estima. Tudo é válido, evidentemente, quando se busca melhorar como ser humano. Há que se tentar de tudo. Existe, no entanto, um problema: as tentativas são pessoais demais. Quer dizer, não há livro de auto-ajuda que sirva a todas as necessidades. E ter de ler o que não se precisa, ou com um tom que não é o que nos agrada, é uma experiência basicamente piegas. Auto-ajuda só funciona em condições muito limitadas: tem que ser a coisa certa no momento certo, e no tom certo. Muito específico. Não adianta achar que o que foi maravilhoso para nós em uma hora vai servir igualmente a todos.
Dostoievsky, por exemplo, tem sido bem mais útil em minha vida que qualquer livro de auto-ajuda, mas eu não mando mensagenzinhas em PowerPoint com trechos de Crime e castigo para as pessoas. Nem acho que ele vá servir para os outros como me serviu. A intensidade de minha experiência com ele pode ser compartilhada por alguém que tenha tido experiência semelhante, mas não pode ser embalada e dada de brinde.
Bom, então respeito muito todo tipo de tentativa. Todos nós sofremos e queremos melhorar. Só que nem a bíblia nem o alcorão, nem a torá nem o tao te king, nada é universal, embora todos eles possam conter mensagens universais. Os momentos e as necessidades das pessoas é que são (felizmente) tão diferentes.

sábado, 2 de maio de 2009

Eu falei....

O comentário anônimo sobre o post de futebol (abaixo) ilustra bem o que eu quis dizer: O time adversário é considerado a encarnação do mal absoluto na terra, e o "nosso" time é o grande justiceiro que vem eliminar este mal. Ingênuo,infantil, irracional e fascinante, como o próprio futebol.


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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Eles estão vivos


"Acho que essas cidades racialmente saudáveis só poderão ser protegidas plenamente se estiverem dentro de uma Nação Ariana. Mas hoje, subordinadas aos governos judaizados dos Estados e a Brasília, vão sofrer, mais cedo ou mais tarde, com a praga das migrações."
De um site "orgulho branco"

Não é brincadeira, eles estão falando sério. Parece ridículo, não é? Mas é bem mais comum do que imaginamos. A internet está cheia desse tipo de coisa “orgulho branco” e “orgulho hétero”. E não são só pessoas retardadas, como seria de se esperar. Há gente inteligente, com um nível de argumentação razoável, tentando provar por a mais b que a raça branca é superior, que os judeus são um perigo para o Brasil, e toda essa história que nós achamos que tínhamos aniquilado quando demos um pau neles na segunda guerra. Não, a guerra não acabou. Quando é a próxima parada gay e o dia da consciência negra? Com certeza estarei lá!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Mecano

Os anos oitenta trouxeram muita porcaria, mas também foram uma época de florescimento de várias tendências vanguardistas no rock. Na improvável Holanda, uma banda em especial levou a extremos a associação entre o rock e os movimentos de vanguarda do início do século XX: Mecano (não confundir com o chatinho homônimo espanhol). Vejam aqui uma das canções clássicas da banda.



Aqui o site oficial da banda.



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terça-feira, 21 de abril de 2009

Os times significam algo


Os times de futebol não significam nada em sua própria cidade, jogando contra seu arqui-rival (ver comentário anterior). No entanto, um time do interior do Acre que vai a São Paulo e ganha uma partida está provavelmente fazendo um gesto político. Pode significar um brado de independência da periferia do país contra o centro dominante. Eu disse “pode”, não “é”. Depende da leitura que se faz. Esse espaço vazio de significado a ser preenchido é o que ainda torna o futebol interessante. A possibilidade do novo, do desconhecido, daquela jogada improvável, daquele gesto ou placar inusitado, isso tudo faz com que o futebol ainda me chame a atenção. Gostaria de ver um time africano ser campeão do mundo, um time do Espírito Santo na primeira divisão do brasileirão. Gosto das chamas do circo.

Os times não significam nada


Desde o ano passado venho tentando introduzir racionalidade em um terreno que é bastante refratário a ela: o futebol. Os times de futebol, por exemplo: o que eles significam? A resposta padrão é que o time para o qual se torce representa valentia, grandeza, coragem e superação, enquanto que os outros, especialmente o arqui-rival, representam covardia, roubalheira, viadagem, tudo de ruim que é possível conceber. Qualquer conversa a respeito se dá no plano discursivo: já sabemos de antemão quem são os bons e os malvados, só resta encontrar o meio mais astuto de provar isso. A racionalidade aqui pega mal, é coisa de quem não sabe brincar. Colocar-se no lugar do outro significaria admitir fraqueza, então está fora de cogitação.
Tudo muito bem, só que pensar e tentar me colocar no lugar de outros são meus esportes preferidos. Peguemos alguns times: Flamengo, Internacional, Palmeiras, será que significam algo a priori? Eles têm uma história, têm personagens que vêm e vão, mas o clube, qualquer clube, não tem uma essência imutável e gloriosa ou sempre odiosa. Por vezes os times são bravos e destemidos, por vezes são covardes, e outras jogam de maneira pragmática e cínica. Escolher qual desses momentos queremos enfatizar depende do capricho de se dizer torcedor de um ou de outro. O amor e o ódio que se tem pelos times, por mais intensos que sejam, ou justamente por isso, são apenas amor e ódio: Afetividade aplicada a algo com o qual não temos sequer uma relação direta, pois não estamos em campo jogando. Somos observadores que ganham um salário infinitamente menor que as estrelas do gramado.
Então, se é para suspender a razão, para deixar que a passionalidade pura tome conta, o esporte não é meu campo prioritário. Muito menos a religião ou a política. Minha racionalidade sucumbe com prazer frente à experiência estética e às pessoas com as quais me relaciono. Apenas pela arte e pelos entes queridos abandono a racionalidade.
Mas claro, como não sou chato nem mal humorado, acompanho os campeonatos, observo os sofrimentos e as alegrias das pessoas, por vezes até me empolgo com um grande jogo, mas sempre sabendo que tudo é efêmero, e com aguda consciência do meu salário junto aos salários deles.
Assim sou eu. Nem melhor, nem pior, apenas eu mesmo. Viva o Paysandu. Viva o Remo. Viva o futebol bem jogado, honesto e aguerrido, seja de quem for.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Ele volta


Hoje, primeiro de abril, o primeiro sopro do frio, como a primeira carícia de uma amante que não vemos há seis meses. O toque suave e aconchegante que alivia o corpo e alegra a alma. Agora sim, agora o ano pode começar.

terça-feira, 31 de março de 2009

Na trincheira, sempre


Com a maturidade física e psicológica que a duras penas consegui alcançar, muitas coisas mudaram: Idéias radicais tornaram-se equilibradas, o desejo de ser notado foi substituído pelo de passar despercebido, o anarquismo original se tingiu de pragmatismo social-democrata. Por questão de adaptação e estratégia, mais do que por prazer, cuido de minha aparência. Por questão de bom senso, cuido de minha saúde. Tenho prazer em manter meu apartamento limpo e organizado, ao invés da bagunça histórica que me acompanhava.
No entanto, certas coisas não mudam. Os inimigos continuam os mesmos: os conservadores, os reacionários. Os racistas, que são tantos e andam tão à vontade nesta província sulista. Eles falam abertamente o que pensam, contam piadas, arrotam e peidam seu nojo pela pele escura aos quatro ventos, sem um pingo de vergonha. Se tu que estás lendo isto me conheces superficialmente, saibas logo desde já: sou amigo de negros. Toco suas mãos, os abraço. Eles bebem água de meu copo, cerveja de minha tulipa. Se tens nojo, nem te dês ao trabalho de me conhecer melhor. Sai deste site e procura tua turma.
Os paraenses podem achar estranho que eu precise dizer isto, afinal somos um povo de “morenos”, e a cor da pele para nós é só um detalhe. Mas aqui no sul é preciso marcar posição. É preciso que eu diga que não sou branco, que tenho orgulho de ser brasileiro e de meu sangue mestiço. Que sem negros, sem japoneses, sem árabes, sem judeus, sem gays, sem índios, sem diversidade enfim, este país seria um tédio.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Hard-working March

égua, volta ao trabalho é isso: de tão cansado, já não se escreve. As idéias vão circulando na cabeça, coisas de oriente médio, Persépolis e Palestina, e em breve elas se materializarão por aqui...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Magazine Luiza, pior que empresa de telefonia


Se você quer ser mal atendido, e quer ficar esperando uma eternidade para receber um produto já pago (à vista!) sem qualquer explicação, vá ao Magazine Luiza. Se quer se irritar, ser tratado com indiferença, fazer um pouco de fúria circular pelo seu corpo cansado, vá ao Magazine Luiza. Aqueles abutres estão lá esperando para roer teu couro e rir da tua cara de otário.